Buscas por crianças desaparecidas vão seguir com força-tarefa menor e foco na investigação policial, diz secretário
23/01/2026
(Foto: Reprodução) Buscas por crianças em Bacabal vão seguir com força-tarefa menor e foco na investigação
O secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, informou nesta quinta-feira (22) que as buscas pelas crianças Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4 anos, desaparecidas há 20 dias em Bacabal, no interior do estado, vão continuar, mas de forma mais direcionada e focada na investigação policial.
Uma comissão especial de segurança, composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal, conduz as investigações paralelamente às buscas. Segundo o secretário, o inquérito policial já ultrapassa 200 páginas. Até o momento, não há vestígios nem pistas sobre o paradeiro das crianças.
“Infelizmente nós não encontramos as crianças. […] Nós vamos fazer um redirecionamento para os trabalhos, dando enfoque às investigações da Polícia Civil e mantendo grupos especializados em atividades rurais para o rastreamento e até mesmo o Exército Brasileiro.”
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Mesmo com a mudança de estratégia, a força-tarefa será mantida. A Polícia Civil do Maranhão, o Exército Brasileiro e a Marinha do Brasil continuam atuando de forma integrada nas buscas. Segundo Maurício Martins, drones seguirão sendo utilizados para auxiliar no monitoramento das áreas.
Das duas bases utilizadas durante a operação, será mantida apenas a base instalada no quilombo São Sebastião dos Pretos, local onde as crianças moravam e foram vistas pela última vez.
Ele destacou ainda que, caso surja a necessidade de ampliar o trabalho para um novo local, as equipes poderão ser novamente acionadas e reforçadas com os órgãos de segurança pública.
Durante a coletiva, o prefeito de Bacabal, Roberto Costa, informou que a Polícia Rodoviária Federal (PRF) realiza fiscalizações não apenas nas rodovias do Maranhão, mas também em outras regiões do país.
Ainda de acordo com o prefeito, a Secretaria de Segurança Pública acionou um sistema nacional de segurança, permitindo o uso de mecanismos e bancos de dados de outros estados para reforçar as buscas pelas crianças.
O secretário acrescentou que, em casos de desaparecimento, a Polícia Civil segue um protocolo específico por meio do programa Amber Alert. Segundo ele, o sistema aciona a plataforma Meta para divulgar informações e fotos dos desaparecidos no Instagram e no Facebook, com alcance de até 200 quilômetros da região.
Durante entrevista coletiva, o secretário também fez um apelo à população e às pessoas que acompanham o caso para que não divulguem comentários ou informações falsas, que podem prejudicar o andamento das investigações.
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Varredura pelo rio Mearim já percorreu 19 km
A Marinha informou que, desde o domingo (18), foram realizadas buscas ao longo de 19 quilômetros do rio, sendo que cinco quilômetros foram vasculhados de forma minuciosa.
“De forma criteriosa, vasculhamos cinco quilômetros do rio. Os pontos de interesse foram repassados aos mergulhadores do Corpo de Bombeiros para verificar se havia algum vestígio. Dentro dessa extensão, com o equipamento empregado, esgotamos as possibilidades de que as crianças estejam no local”, afirmou o capitão dos Portos, Ademar Augusto Simões Júnior.
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Corpo de Bombeiros do Maranhão
Durante as buscas fluviais, foram identificados 11 pontos de interesse, que foram repassados aos mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão (CBMMA). As equipes realizaram buscas subaquáticas, mas nenhum vestígio relacionado ao desaparecimento das crianças foi encontrado.
A varredura conta com apoio do equipamento side scan sonar, um equipamento utilizado para mapear áreas submersas por meio de ondas sonoras. O equipamento produz, em tempo real, imagens do leito e da coluna d’água, permitindo identificar anomalias que depois são verificadas pelos mergulhadores, o que acelera as buscas.
O oficial destacou ainda que, apesar da ausência de indícios, a Marinha do Brasil segue à disposição para continuar colaborando com as buscas.
Exército diz que equipes já percorreram mais de 200 km
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Reprodução/CBMMA
O tenente-coronel João Carlos Duque, do Exército Brasileiro, informou durante a coletiva que as equipes de busca já percorreram cerca de 200 quilômetros em operações realizadas a pé e por meio de embarcações nos arredores da comunidade.
Segundo o militar, em ambientes inóspitos, sem acesso à água e alimentação, um ser humano consegue sobreviver, em média, entre oito e 12 dias. No entanto, como não há vestígios sobre o paradeiro das crianças, as equipes de segurança trabalham com a possibilidade de que elas estejam fora das áreas já vasculhadas.
“As equipes, incluindo os voluntários, percorreram toda a área definida para as buscas. Isso nos dá a garantia de que o local foi amplamente varrido e de que as crianças não foram encontradas ali. Essa constatação nos dá esperança de encontrá-las com vida, porque, dentro de uma perspectiva técnica, um ser humano consegue sobreviver em ambiente inóspito sem água e alimentação por oito a 12 dias. A ausência de vestígios amplia a possibilidade de que elas estejam em outro lugar”, afirmou.
Autorizado pela Justiça, menino de 8 anos ajuda nas buscas
O menino de 8 anos, primo das crianças desaparecidas, participou na terça-feira (20) das buscas pelas crianças com autorização da Justiça do Maranhão.
Acompanhado por policiais e por uma equipe da rede de proteção à infância, o menino indicou os últimos caminhos que percorreu com os primos até o momento em que foi encontrado. Ele reafirmou as informações já prestadas a peritos da Polícia Civil e à equipe de psicólogos que o acompanha.
A criança também esteve em uma cabana conhecida pelos policiais como “casa caída”, localizada a cerca de 500 metros do rio Mearim. Segundo o menino, esse foi o último local onde esteve com os primos antes de sair em busca de ajuda. Cães farejadores confirmaram a presença das crianças no local.
Uma rede de proteção foi criada para manter o menino afastado de qualquer tipo de assédio ou exposição. Ele seguirá recebendo acompanhamento psicológico contínuo.
O menino recebeu alta hospitalar na terça-feira (20), após permanecer internado por 14 dias. Ele foi encontrado no dia 7 de janeiro por carroceiros que passavam por uma estrada vicinal em um povoado de Bacabal, depois de ter ficado desaparecido por três dias.
Os cães farejadores identificaram que Ágatha Isabelly, Allan Michael e o primo deles, Anderson Kauã, de 8 anos - resgatado no dia 7 de janeiro, estiveram na casa, chamada pelos policiais como "casa caída", localizada no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal (MA).
Divulgação/ SSP
INFOGRÁFICO - Crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão
Arte/g1