O centenário incerto de Canhoto da Paraíba, ás do violão invertido que legou obra expressiva para o instrumento

  • 03/01/2026
(Foto: Reprodução)
O violonista Canhoto da Paraíba (1926? – 2008) em ilustração feita para a capa de álbum de 1977 Reprodução ♫ MEMÓRIA ♬ Ninguém questiona a genialidade de Francisco Soares de Araújo, o violonista conhecido como Chico Soares ou, mais frequentemente, como Canhoto da Paraíba, nome artístico que alude ao fato de o compositor e músico ter nascido no sertão de Princesa Isabel (PB), município do interior da Paraíba, em família musical (o avô tocava clarinete e o pai, violão). Já a data de nascimento do artista sempre foi motivo de discussão. Tudo indica que foi em um dia 19 de março. Mas o ano é motivo de controvérsias. Há quem aponte que Francisco veio ao mundo em 1926, há quem sustente que ele teria nascido em 1927 e há quem crave que o ano correto é 1928. Há ainda uma quarta versão (talvez a mais crível) de que o próprio Canhoto teria dito que a data certa é 19 de março de 1929. O fato é que o violonista morreu em 24 de abril de 2008, em Paulista (PE), município de Pernambuco. Como não se pode afirmar com precisão a data de nascimento do artista, o centenário de Canhoto da Paraíba se torna indefinido, impreciso. Várias fontes cravam que Canhoto é de 1926 e, portanto, 2026 seria o ano do centenário do artista. Contudo, paira a dúvida. O que dificulta as merecidas homenagens a esse violonista cujo toque invertido impressionou ases como Jacob do Bandolim (1918 – 1969), Radamés Gnattali (1906 – 1988) e Paulinho da Viola, sambista chorão que compôs música em tributo a Canhoto, “Abraçando Chico Soares”, choro apresentado pelo bamba carioca em álbum de 1971. Francisco era canhoto, mas não inverteu as cordas do violão para poder tocar o instrumento. Ele virava era o próprio violão. Como compositor, Canhoto da Paraíba deixou obra autoral diferenciada pelo toque nordestino que imprimiu em choros e valsas. O violonista morreu em 2008, mas a rigor saiu de cena dez anos antes, impedido de tocar por conta de AVC sofrido em 1998. Foi o acorde final de trajetória profissional iniciada em 1952, inicialmente em João Pessoa (PB) e, mais tarde, no Recife (PE). Foi na capital de Pernambuco que o violonista autodidata mais exerceu o ofício que somente lhe daria certa projeção nacional em 1977, ano em que o admirador Paulinho da Viola produziu um álbum referencial do músico, “Canhoto da Paraíba – O violão brasileiro tocado pelo avesso”. O disco simbolizou capítulo decisivo em história protagonizada por Canhoto da Paraíba como excepcional violonista de toque invertido e como notável compositor de choros feitos para o violão. Por isso, por mais que seja incerto o ano do centenário do artista, é preciso louvar o legado de Canhoto da Paraíba.

FONTE: https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2026/01/02/o-centenario-incerto-de-canhoto-da-paraiba-as-do-violao-invertido-que-legou-obra-expressiva-para-o-instrumento.ghtml


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