Segundo debate para governo tem troca de acusações de 'gabinetes do ódio', relações com bets e denúncia sobre empresa de ônibus

  • 18/09/2026
(Foto: Reprodução)
Raquel Lyra (PSD), João Campos (PSB) e Ivan Moraes (PSOL) participaram de debate nesta quinta-feira (17) Reprodução/YouTube/TV Nova A menos de três semanas para o 1º turno das eleições 2026, foi realizado, na noite desta quinta-feira (17), o segundo debate entre candidatos ao governo de Pernambuco. Ivan Moraes (PSOL), João Campos (PSB) e Raquel Lyra (PSD) trocaram acusações e discutiram propostas para saúde, segurança, transporte e abastecimento d'água. O programa começou por volta das 21h e foi promovido pela TV Nova Nordeste, Rádio Cultura de Caruaru e Diario de Pernambuco no Centro de Convenções do Senac, em Caruaru, no Agreste do estado. Participaram os postulantes de partidos com representação no Congresso Nacional. ✅ Receba as notícias do g1 PE no WhatsApp Ao todo, o debate teve quatro blocos e considerações finais. Entre os momentos mais tensos do debate, estava a troca de acusações entre João Campos e Raquel Lyra sobre o uso do que chamaram de "gabinetes do ódio" para coordenar ataques nas redes sociais, roubo de material de campanha e confusão com tiro durante o ato do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) no Recife. Além disso, a atual governadora e o ex-prefeito do Recife falaram sobre patrocínio de bets em eventos públicos e as denúncias de favorecimento à Logo Caruaruense, empresa de ônibus que pertencia à família de Raquel Lyra. Agora no g1 Confira, a seguir, como foi o debate, bloco a bloco: Apresentações e perguntas no 1º bloco Na abertura do debate, os candidatos se apresentaram aos eleitores e tiveram 2 minutos para responder à pergunta: "Por que você merece ser governador ou governadora de Pernambuco?". Em seguida, cada candidato respondeu, em 2 minutos e meio, a uma pergunta feita por um dos jornalistas convidado. Logo depois, outro participante teve 1 minuto para comentar a resposta do adversário. João Campos falou sobre seu histórico político, com destaque para os 5 anos e 6 meses como prefeito, até renunciar para concorrer ao governo. Ivan Moraes falou que Pernambuco merece um novo candidato que saia do revezamento de herdeiros da "velha política". Raquel Lyra falou sobre a confusão no ato de Flávio Bolsonaro e disse que o caso deve ser apurado. Ela disse, ainda, que "pessoas ligadas" ao partido de João Campos roubaram material de campanha dela. "Durante os últimos dias, a política em Pernambuco ultrapassou limites que jamais deveriam ser ultrapassados. Acusações, incitações de violência, fake news no mundo real e no mundo virtual. Ontem, pessoas ligadas ao PSB foram detidas roubando material nosso, colocando militantes, supostamente nossos, com camisas roxas, mas que não eram ligados a nossa campanha pra participar, supostamente, de um ato de um candidato a presidente da República", afirmou. O ex-prefeito do Recife pediu direito de resposta, que foi concedido, e negou ligação com o roubo de material de campanha. Ele também disse que foi vítima de um "gabinete do ódio" montado pelo governo do estado para atacá-lo. "Fazer uma ilação em torno disso não é responsável com a audiência que está nos acompanhando. Eu estou aqui para discutir o futuro de Pernambuco. Já fiz muitas perguntas, e fiquei sem resposta. Dentre elas, nessa área do gabinete do ódio que me ataca. Vocês viram a imprensa nacional revelar o Amisadai dizendo que teve reunião no Palácio do Governo para montar um gabinete do ódio para me atacar, nomeado pela atual governadora, recebendo recursos públicos. Eu entrei com uma ação judicial contra ele, para que ele possa se explicar a justiça dos crimes que cometeu", afirmou. Em comentário, Ivan falou que tanto João Campos quanto Raquel Lyra apoiaram o ex-governador Paulo Câmara e participaram da mesma gestão. Patrocínio de bets no 2º bloco No segundo bloco, Raquel Lyra questionou João Campos sobre a redução dos impostos municipais para empresas de apostas esportivas (bets) no Recife, apesar de ele afirmar ser pessoalmente contrário à atividade. Ela associou as bets ao crime organizado e aos impactos sociais do vício em jogos, criticou a presença dessas empresas em eventos públicos do Recife e argumentou que os recursos poderiam ser direcionados para áreas como a saúde. João respondeu que a redução tributária ocorreu após a regulamentação federal do setor e resultou em um aumento expressivo da arrecadação municipal, o que, segundo ele, permitiu ampliar investimentos em creches, hospitais e infraestrutura. Em seguida, ele questionou a candidata sobre uma advogada ligada à sua campanha e supostamente vinculada a uma empresa de apostas, acusação que ela classificou como "irresponsável". O candidato também disse que o São João de Caruaru, cidade onde Raquel foi prefeita, também recebeu patrocínio de bets. Na sequência, Raquel destacou investimentos estaduais, incluindo a contratação de mais de 8 mil agentes e redução da criminalidade, além de criticar falhas no funcionamento de unidades de saúde no Recife. João defendeu a expansão da atenção básica e da saúde bucal na capital e cobrou realizações do governo estadual, afirmando que Raquel não inaugurou novas delegacias nem escolas técnicas durante sua gestão. Raquel Lyra também pediu direito de resposta às afirmações de João Campos sobre o "gabinete do ódio" que ele disse ter sido montado pelo governo. A solicitação foi atendida, mas ela usou o tempo de fala para detalhar políticas de segurança pública de seu mandato. "Toda a onda de ataques que estamos sofrendo durante a campanha, mas também durante o nosso mandato, estão denunciados às polícias e os órgãos competentes estão investigando. Agora eu quero falar com você sobre segurança pública. Nós recebemos a segurança pública de Pernambuco sucateada, fomos capazes de contratar mais de 8 mil agentes de segurança, mas a gente comprou viatura, comprou armamento, comprou colete à prova de balas", declarou. Por conta do fato de ter dedicado o direito de resposta para falar de um tema diferente do que tinha sido discutido, a direção do debate decidiu tirar 55 segundos do tempo das considerações finais da candidata. Concessão da Compesa no 3º bloco No terceiro bloco, os candidatos voltaram a responder perguntas dos jornalistas. Ao responder sobre a concessão parcial da Compesa, Raquel Lyra afirmou que seu governo encontrou cerca de 2 milhões de pernambucanos sem acesso regular à água e com baixa cobertura de saneamento. Ela defendeu a concessão, argumentando que seriam necessários R$ 30 bilhões para universalizar o abastecimento de água e o tratamento de esgoto, valor que o Estado não teria condições de investir sozinho. Em comentário, Ivan disse que a Compesa nunca foi deficitária e afirmou que uma das empresas do consórcio que venceu o leilão respondia a processos por suspeita de corrupção na Espanha. Ao responder a uma pergunta sobre a relação com o governo federal caso algum candidato da oposição vença a eleição presidencial em vez de Lula (PT), João Campos disse que vai contar com o apoio do presidente e questionou as realizações do governo Raquel Lyra nas áreas da saúde e segurança. Segundo ele, a atual gestão não entregou nenhuma delegacia nem unidade de saúde "do zero". Ao comentar a resposta do adversário, Raquel disse que foi eleita em 2022 "para construir pontes", "e não para separar as pessoas pelas cores das bandeiras partidárias". Ela ainda afirmou que foi prefeita de Caruaru durante o último governo do PSB e disse ter sofrido "muito" por falta de ajuda do estado na época. Ao fim do bloco, João disse que, conforme entendimento de uma decisão recente da Justiça, a afirmação de Raquel sobre as bets no Recife é falsa e afirmou que o ex-secretário de Mobilidade e Infraestrutura do estado e primo da governadora, André Teixeira, autorizou publicidade de bets nos ônibus do transporte público neste ano. Corrupção, PEC da Blindagem e empresa de ônibus no 4º bloco No quarto e último bloco, os candidatos tiveram 3 minutos para falar e fazer perguntas entre si. A primeira pergunta foi feita por Ivan Moraes para João Campos sobre qual seria a proposta do candidato do PSB para o combate à corrupção. No embate, Ivan questionou João, que é presidente nacional do PSB, sobre a decisão do partido de liberar a bancada na votação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Blindagem, que exigia autorização prévia do Congresso para que parlamentares fossem investigados. Em resposta, o ex-prefeito disse que foi contra a proposta e a bancada reconheceu que houve um "erro de voto". Ivan voltou a perguntar quem tomou a decisão de liberar a bancada e de quem seria o "erro" apontado pelo candidato. João respondeu que não participou da votação e "vai fazer um grande governo". Em seguida, João perguntou para Raquel sobre o que ela achava dos direitos trabalhistas previstos pela Constituição. A candidata à reeleição disse que era "claro" que era a favor desses direitos. Depois, o candidato do PSB falou que ela foi sócia de uma empresa de ônibus intermunicipal, a Logo Caruaruense, que pertencia ao pai dela, o ex-governador João Lyra. Segundo o ex-prefeito, a empresa, durante o período em que a candidata atuou na companhia, acumulou dívidas com os trabalhadores, sem pagar as rescisões trabalhistas. Raquel afirmou que deixou a sociedade há dez anos, tinha apenas 1% das cotas e não participou da administração. Ele também acusou a governadora de não fiscalizar a Logo Caruaruense durante sua gestão. Ela negou ter favorecido a empresa, que encerrou suas atividades no início deste ano. A candidata pediu direito de resposta e foi atendida pela coordenação do debate após as considerações finais. Na resposta, ela disse que as acusações levantadas por João Campos sobre a Logo Caruaruense são falsas e afirmou ser "uma mulher honesta e trabalhadora". "Mais uma vez, a gente está aqui entre quem quer discutir Pernambuco e quem está inventando fake news", declarou. Considerações finais No quinto e último bloco, Ivan Moraes e João Campos tiveram, cada um, 2 minutos para fazer suas considerações finais. Raquel Lyra, que perdeu 55 segundos por ter usado um direito de resposta para falar sobre um tema diferente, teve direito a 1 minuto e 5 segundos de fala. Raquel Lyra (PSD): "Eu quero agradecer a oportunidade de estar aqui e conversar com você, que esteve até esta hora acompanhando o nosso debate. Mandar um beijo para João, que está aqui me acompanhando, para o nosso senador Eduardo da Fonte, para Nando, que está em casa, e dizer que Pernambuco caminhou para a frente. A gente pegou um lugar desarrumado, mas Pernambuco voltou, o Leão do Norte acordou. Em todas as áreas, em três anos e meio, entregamos mais do que os oito anos que antecederam a nossa gestão. Pernambuco está pronto para liderar de volta o Nordeste brasileiro, e eu estou pronta para ser sua governadora de novo. Eu lhe peço a oportunidade para chegar a um dos lugares onde o nosso governo ainda não chegou, porque ainda tem muito o que fazer, e para agradecer e continuar trabalhando por aqueles onde o governo já se fez presente. Dona Corina, no Jardim Monte Verde, Dona do Carmo, aqui no Severino Quirino, Dona Biu, lá do Alto Zé do Pinho, sabem muito bem do que eu estou falando. Vamos caminhar para a frente. Eu estou pronta para poder garantir que Pernambuco possa continuar unindo as suas pessoas em torno de fazer o nosso estado crescer, mas sem deixar ninguém para trás. Cuidando de Pernambuco por inteiro, para que ele possa prosperar. Beijo no coração de todos. Eu sou Raquel, 55". João Campos (PSB): "Eu quero agradecer a você que está nos acompanhando, agradecer aqui aos mediadores, saudar a candidata Raquel, o candidato Ivan, dizer que eu estou muito feliz e animado, pronto para fazermos os melhores quatro anos da história de Pernambuco. Tive a oportunidade de governar o Recife. Fizemos Hospital da Criança, quatro pontes, fizemos 8 centros TEA, grandes obras de proteção de encosta, obra de drenagem. Nós fizemos uma política do cuidado e da realização, trabalhando os quatro anos muito e podendo entregar para quem mais precisa. Agora, chegou a hora de fazer por Pernambuco. Estou ao lado do presidente Lula, o maior presidente da história do Brasil. Juntos, nós vamos fazer a Transnordestina. Vamos duplicar a 232, a BR-423, a PE-90. Nós vamos fazer o maior investimento da história de água do estado de Pernambuco, até que todo pernambucano ou pernambucana tenha água. Quem está na tarifa social, estiver em rodízio, vai ter a sua conta zerada. A gente vai fazer pela educação de verdade, porque o nosso lugar é o melhor do Nordeste e o melhor do Brasil. A gente vai lançar o Pé-de-Meia Pernambuco, onde a gente vai complementar com três parcelas, nos meses de férias de julho, dezembro e janeiro. O Pé-de-Meia Técnico, para quem terminou o médio e vai continuar no ensino técnico, e o Pé-de-Meia Empreendedor, para quem terminou a educação técnica e vai empreender. A gente vai fazer os centros TEA para cuidar das crianças atípicas no interior do estado, como prefeito, fizemos 8. Agora a gente vai fazer, no mínimo, um grande centro por região. Vamos fazer o maior hospital da história de Pernambuco, com 900 leitos na Região Metropolitana. A gente vai trazer também aqui para o Agreste, para o Sertão, a presença verdadeira de um governo que cuida e que faz. Não adianta ter a conversa bonita, tem que ter a capacidade de fazer, de entregar e de cuidar das pessoas. Vocês vão me ver com sorriso no rosto, feliz e animado, e trabalhando por Pernambuco. Para governador, é João, 40". Ivan Moraes (PSOL): Mais feliz do que eu, ninguém está, e começo mandando um beijo para o meu pai, Ivan Moraes, o velho, o verdadeiro comerciário trabalhador que sustentou a nossa família, que me educou e que não está vindo para esse debate como culpado de nada, porque eu não tenho familiares na política. Eu sou um trabalhador igual a você e quero muita oportunidade de poder governar Pernambuco, porque Pernambuco precisa de um governador que conhece os problemas da população, porque é um cidadão comum, igual a você, que pega ônibus, que entra em fila, que conhece o Carnaval de dentro do bloco. Eu entendo que, nesse debate, ficou muita coisa faltando, mas eu estou doido pra conversar sobre isso também. Eu quero que você saiba que pode ter cultura todo dia no nosso estado. Ao invés de gastar milhões com artistas que pegam, botam no bolso e levam embora, a gente pode garantir o sustento dos nossos brincantes da cultura popular. Pernambuco pode ter um programa de lixo zero, pra gente deixar de pagar bilhões para enterrar algo que tem valor, gerando dinheiro no bolso da população. Pernambuco pode ter um programa de privatização zero, cuidando daquilo que é público. Pernambuco pode ter o programa estadual da cannabis para gerar saúde, emprego e renda para muita gente. Pernambuco pode e deve focar o seu recurso na saúde, na atenção básica, para que as pessoas não tenham que vir sempre para a capital, para lotar as emergências, para que as pessoas possam ter seu tratamento e sua prevenção no lugar onde estão. Pernambuco precisa se unir naturalmente, porque Pernambuco entende a importância da reeleição do presidente Lula, e eu gostaria muito que a gente pudesse deixar aqui, nós três, as nossas divergências de lado e entender, e dizer para todo mundo, que Lula precisa ser o nosso presidente mais uma vez, porque ele é a barreira que nos impede de cair no fascismo e de cair no bolsonarismo. Nós já passamos por essa experiência e não podemos passar de novo. Em 2026, para governador, nós não temos a ameaça fascista. Nós podemos votar com muita convicção, com amor, com o coração, com a razão e sem nenhum medo. Governador Ivan Moraes, 50, diferente dos iguais". VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/eleicoes/2026/noticia/2026/09/17/segundo-debate-governo-de-pernambuco.ghtml


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